O CÂNTICO DE MARIA - Raul Amorim

22/12/2017 - 08:00

Lc. 1,46-56

Das alturas orvalhem os céus e, das nuvens, que chova a justiça. Que a terra se abra ao amor e germine o Deus Salvador... Com essa esperança aguardamos a vinda de Jesus. No evangelho Maria com o seu canto, “o Magnificat” expressa “o muito obrigado” a Deus que vem libertar o povo. Vamos meditar...

Lc. 1,46-47: E Maria disse: “Minha alma exalta o Senhor, meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador”.

Para entendermos o contexto lembramos que Maria está na casa de Isabel e durante a conversa Maria ensina como rezar e louvar a Deus. O cântico de Maria se inspira no de Ana (1Sm.2,1-10) e em alguns outros salmos. De cara percebemos que Maria tinha muito contato com a Palavra. Começa proclamando a mudança que aconteceu na sua própria vida sob o olhar amoroso de Deus, cheio de misericórdia...

Lc. 1,48-49: “porque olhou para a humilhação de sua serva. Eis que, de agora em diante, todas as gerações me considerarão feliz, pois o Todo Poderoso fez grandes coisas por mim. Seu nome é Santo”.

São palavras de uma grande celebração de louvor. Ela descobre em si mesma o mistério de Deus. Ele contou com instrumentos humildes, como no caso de Maria, que não passava de uma simples serva (Lc. 1,38). Maria descobre que a salvação e a libertação dos pobres resultavam da misericórdia divina.

Lc. 1,50-51: “e sua misericórdia perdura de geração em geração para aqueles que o temem. Ele agiu com a força de seu braço. Dispersou os arrogantes de coração”.

A libertação consistia em acabar com os esquemas erguidos por pessoas intolerantes, que se bastava a si mesmos, davam as costas para Deus e manipulavam o povo. A segurança desse tipo de gente seria arrasada.  Maria diz que Deus é fiel com seu povo e proclama a mudança que o braço de Javé estava realizando a favor dos pobres. Como precisamos dessa libertação!

Lc. 1,52-54: “Derrubou dos tronos os poderosos e exaltou os humildes. Encheu de bens os famintos e despediu os ricos sem nada. Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia”.

É esta a força salvadora de Deus que faz acontecer à mudança: dispersa os arrogantes, destrona os poderosos e eleva os humildes, manda os ricos embora sem nada me aos que tem fome enche de bens. É a ação de Deus reorientando o rumo das coisas. Recriando a justiça e renovando a esperança. Como precisamos disso Senhor em nossos dias...

Lc. 1,55-56: “como tinha dito a nossos antepassados, em favor de Abraão e de sua descendência para sempre”. Maria ficou com Isabel cerca de três meses, e então voltou para casa.

No fim, Maria lembra que tudo isto é expressão da misericórdia de Deus para com seu povo e expressão de sua fidelidade às promessas feitas a Abraão. A Boa Nova veio não como uma recompensa pela observância da Lei, mas como expressão de bondade e fidelidade de Deus.

Maria trazia no ventre aquele que fora destinado para instaurar a salvação a todos. Sinal de que Deus não abandonava os que necessitavam de salvação. As maravilhas realizadas na vida de Maria podem ser com que um espelho das maravilhas que o Senhor pode realizar naquele e naquela que se dispõe a colocar em prática o projeto de Jesus.

P/ CEBI ( Centro Estudos Bíblicos) Raul de Amorim Pires> raul4ap@gmail.com.br