Cardeal Scherer participa de fórum sobre a paz na Península da Coreia

Evento promovido pela arquidiocese de Seul debateu possíveis caminhos para a pacificação das duas Coreias
Publicado em: 08/11/2017 - 10:45
Créditos: Redação

Há sete décadas, como saldo da Guerra da Coreia, a península coreana, no continente asiático, está dividida em duas nações: Coreia do Sul e Coreia do Norte. A situação, que historicamente desagrada a maior parte da população, tornouse ainda mais tensa nos últimos anos por conta da ampliação do programa nuclear norte-coreano. 

Preocupado com a manutenção da paz na península, o Comitê Nacional de Reconciliação da Arquidiocese de Seul, na Coreia do Sul, promoveu entre os dias 3 e 7, na Universidade Católica da Coreia, um fórum internacional para discutir caminhos que levem à superação da divisão dos países e à promoção da paz entre a população local. 

Na carta convite aos participantes do evento, o Cardeal Andrew Yeom Soojung, Arcebispo de Seul, afirmou estar convencido de que a pacificação das Coreias só será possível com a colaboração da Igreja em nível global e que, por isso, foram convidadas para o evento pessoas de outros países para compartilharem práticas na busca da verdade, amor, justiça, paz e reconciliação em diferentes circunstâncias. “Nesse sentido, este ano, o fórum pretende focar no compartilhamento de experiências da Igreja na América Latina e explorar caminhos para a pacificação e reconciliação no mundo, bem como na Península da Coreia”, comenta Dom Andrew.

Nesse contexto, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, e outros bispos de dioceses em países latino-americanos também participaram do fórum internacional. Dom Odilo falou aos participantes no sábado, 4, na mesa temática “Way of Life: Reconciliation and Healing” – “Modo de viver: Reconciliação e cura”, em tradução livre – junto com o Cardeal Gregorio Rosa Chávez, Bispo de San Salvador, em El Salvador; e Dom Carlos Garfias Merlos, Arcebispo de Morélia, no México.

“Há, pois, fortes motivos para que a Igreja na Coreia do Sul se preocupe com a reconciliação e a paz entre as duas Coreias. Ela procura fomentar um clima propício à paz e à reconciliação, mesmo sabendo que cerca de 15% da população é contrária à reunificação. Porém, a missão da Igreja é 
anunciar o Evangelho da paz e da reconciliação, abater muros e estabelecer pontes para o diálogo e o encontro. Por isso, além de envolver intelectuais, formadores da opinião pública e personalidades da cultura, a iniciativa também está voltada para o povo, de maneira a preparar um campo propício para o florescimento da paz no País”, afirma o Cardeal Scherer sobre o evento, na coluna “Encontro com o Pastor”, publicada nesta edição do O SÃO PAULO. 

Além da fala no evento, em sua passagem pela Península da Coreia, Dom Odilo concelebrou missas e se encontrou com fiéis leigos nas paróquias. Em Seul, ele entregou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida ao Cardeal Andrew Yeom Soo-jung. Também esteve com Dom Lazarus You Heung-sik, Bispo de Darjeon, diocese de origem dos padres que atuam na Paróquia Pessoal Coreana São Kim Degun, na Arquidiocese de São Paulo. Naquela Diocese, encontrou-se ainda com fiéis leigos e visitou escolas e paróquias.  

 

A Igreja nas Coreias

O catolicismo chegou à Península da Coreia no final do século XVIII, por meio de livros católicos que foram traduzidos para o chinês. A primeira comunidade católica da região foi formada por leigos coreanos que pediram para receber o Batismo após lerem essas obras. 

A Coreia do Sul tem hoje cerca de 50 milhões de habitantes, dos quais aproximadamente 5 milhões são católicos (10,7% da população). Existem 16 circunscrições eclesiásticas, 1.673 paróquias, 35 Bispos, 4.261 sacerdotes, 516 religiosos e 9.016 religiosas, 123 missionários leigos e 14.195 catequistas. Os seminaristas menores são 395 e os maiores 1.489. 

Por outro lado, na Coreia do Norte, a Igreja Católica é proibida de atuar livremente. Só podem exercer culto público os que fazem parte da Associação Católica da Coreia do Norte, instituição controlada pelo governo de Kim Jong-un. Os demais católicos vivem a fé clandestinamente. Segundo essa associação nacional, existem 3 mil católicos inscritos no País, mas estima-se que o número real não passe de 800, sendo a maioria idosos batizados antes da Guerra da Coreia. 

Embora vacantes, as três dioceses católicas da Coreia do Norte continuam instituídas a espera de um dia poderem ser retomadas. Até 2012, o Anuário Pontifício indicava como Bispo de Pyongyang Dom Francis Hoong-ho, desaparecido desde 1949 após ser capturado pelo governo norte-coreano. Em 2013, a Santa Sé recebeu a confirmação de sua morte e seu nome foi incluído na lista de 81 mártires coreanos, cuja causa de beatificação foi aberta em 22 de fevereiro.

 

(Com informações de Asia News e a ACI Digital)