Educar: Um gesto de amor

20/10/2017 - 14:30

Comemoramos no dia 15 de outubro o dia do professor. O Papa Francisco, num discurso em fevereiro de 2014, atingiu o coração dos professores aos dizer que "educar é um gesto de amor, é dar vida." Palavras que expressam a profunda alegria e satisfação dos professores que amam a sua vocação para a docência: transmitir conhecimentos e experiências para servirem de norte e de estímulo aos alunos.

Gostaria de trazer dois depoimentos vivos que mostram o amor à educação e à escola e manifestam o ensinamento do Papa.
 
O primeiro é uma notícia publicada há muitos anos no jornal O Estado de S. Paulo: "Timica é professora no Município de Limoeiro do Ajuru, no Pará. Todos os dias, às 5h da manhã, ela pega a sua canoa e começa a remar para ir dar aula. Antes de chegar à tosca edificação onde funciona a escola, recolhe as crianças nas margens do rio. Serão seus companheiros durante as quatro horas de duração da viagem, sempre com a professora ao remo. No final do mês, Timica recebe um salário mínimo de professor. Os pesquisadores da Universidade Federal do pará não acreditaram na história. A professora respondeu imediatamente: levantou a manga da blusa e mostrou os braços musculosos de tanto remar." Nós devemos reconhecer o esforço verdadeiramente heroico e diário de muitos professores.
 
O outro é a história de Malala, uma menina paquistanesa de 15 anos que, junto com seu pai, lutou pelo direito de as meninas de seu país frequentarem a escola. Ganhou fama, recebeu vários prêmios e, posteriormente, se tornou internacionalmente famosa quando recebeu o Prêmio Nobel em 2014. Seu pai era também um educador e proprietário de uma escola. Grupos muçulmanos radicais entendiam que as mulheres não deviam estudar: somente cuidar da casa, criar os filhos e dar de comer a todos. Numa ocasião em que voltava da escola num ônibus escolar, Malala foi baleada por um terrorista talibã, junto com outras duas colegas. Um tiro atingiu seu rosto, ao lado do olho esquerdo, rompeu o nervo facial e afetou o ouvido. O projétil não atingiu a massa encefálica, mas desceu e se alojou num dos ossos do ombro. passou por muitas cirurgias de reconstrução. Um ano depois, quando estava quase completamente recuperada (ainda permaneceram sequelas, como a diminuição da audição e menor mobilidade da face esquerda do rosto), foi a Nova York e discursou na ONU. Havia 400 pessoas na assembleia. "...Conclamei os líderes mundiais a prover educação gratuita para todas as crianças do mundo: Que possamos pegar nossos livros e canetas... São as nossas armas mais poderosas. Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo." A audiência a aplaudiu de pé.
 
Malala disse uma grande verdade: para mudar o mundo, é preciso investir bastante na educação das novas gerações e lutar por uma educação de qualidade, que promova uma formação realmente integral dos estudantes. Trata-se de uma proposta abrangente e comprometedora, que envolve a educação para a liberdade e a responsabilidade, o estímulo das potencialidades dos alunos em diversos aspectos, a capacidade de iniciativa, a disposição para servir, o respeito aos demais, o reconhecimento da dignidade de cada ser humano etc. Por isso, foi uma importante conquista o reconhecimento - por parte do STF - do ensino religioso confessional, de matrícula facultativa, para os alunos do ensino fundamental e das escolas públicas do País. Os estudantes tem o direitode conhecer melhor sua própria religião: com isso, toda a sociedade se beneficia, pois estaremos formando cidadãos responsáveis, além de verdadeiros amigos de Deus.