ASCENSÃO DO SENHOR

17/05/2015 - 10:00

1. Celebramos hoje o mistério conclusivo da vida de Jesus: sua ascensão ao céu. Quando afirmamos que Jesus foi para o céu, não estamos dizendo que ele subiu para o espaço sideral, mas que foi para Deus. “Ir para o céu significa ir para Deus”. Estar no céu significa estar junto de Deus, em comunhão plena com Deus.

2. O céu começa para nós, seres humanos, quando Cristo Ressuscitado leva para junto do Pai a nossa humanidade, estabelecendo comunhão total entre a realidade criada e a realidade divina. O corpo ressuscitado de Cristo é a ‘ponte’ que nos leva até o coração de Deus: “Vou preparar um lugar para vós. E depois que eu tiver ido e preparado um lugar para vós, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que, onde eu estiver, estejais vós também” (Jo 14,2c-3).

3. O céu já começa nesta vida e alcança sua plenitude após a morte, quando mergulharemos totalmente no mistério de Deus. É preciso superar a concepção de que o céu seria uma felicidade que começaria repentinamente após a morte. Não! O céu começa no tempo presente, e alcançará, sim, sua plenitude após a morte; mas ele já começa aqui, na nossa história pessoal. Sempre que cultivamos e intensificamos a comunhão com o Senhor, experimentamos aquela misteriosa alegria que não se deixa vencer pelos sofrimentos e decepções próprios da existência humana. É a alegria que vem de Deus, que vem do céu.

4. A ascensão ensina-nos ainda que Jesus não está mais na mansão dos mortos, mas à direita de Deus. Essa expressão da profissão de fé significa que Jesus tem um poder divino, igual ao do Pai. Um poder em comunhão com o poder do Pai. Jesus ressuscitado é o Senhor que reina agora com a sua humanidade na glória eterna de Filho de Deus e intercede incessantemente a nosso favor junto do Pai.

5. Por fim, a ascensão lembra-nos que, enquanto Igreja, continuamos a missão de Jesus. É preciso vencer a tentação de viver um cristianismo sem nenhum engajamento, de viver simplesmente à espera do retorno do Senhor. Mãos à obra, pois a missão é repleta de desafios e obstáculos.

6. O confronto com uma cultura avessa aos valores do evangelho provoca momentos de desilusão e decepção, daí a promessa de Cristo: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28, 20b). Esta certeza deve alimentar a coragem com que testemunhamos aquilo em que acreditamos: o céu. Assim seja!