Ressuscitado e atuante entre nós! - Pe. Reuberson Ferreira, mSC

20/04/2017 - 00:15

Leituras: At 3, 11-26; Sl:8; Evangelho: Lc 24, 35-48

Transcorridos os dias da alegre solenidade da Ressurreição do Senhor, adentramos num tempo chamado pascal. Trata-se de um período que prolonga a alegria que vivemos nestes dias festivos. De um espaço que dilata a certeza de que a vida venceu a morte. É um gesto litúrgico, simbólico e altivo que atesta que nossa vitória com Cristo não é passageira, antes é perpétua, eterna.

A liturgia desta quinta-feira da oitava pascal fala da presença de Cristo entre a humanidade. Apresenta os discípulos agindo em nome de Jesus ressuscitado. Ele mesmo, vivo e vencedor, se faz presente entre os seus e cumpre as promessas feitas aos pais na fé sobre a vinda do messias.

A primeira leitura, retirada do livro dos Atos dos Apóstolos, relata a reação do povo à cura operada, em nome de Jesus, por Pedro e João. As pessoas ficam deslumbradas com o ato dos discípulos (v.12). Eles, contudo, não advogam para si a autoridade sobre a cura que fizeram. Antes, atribuem a Jesus Cristo que, mesmo rejeitado, foi justificado/ressuscitado pelo Deus de Israel (v.13). Jesus é o novo Moisés predito pelas Escrituras e anunciado pelos profetas. Em sua ressurreição, anunciada pelos discípulos, encontra-se a prova cabal da necessidade de conversão (v.26) de todos os homens até a sua volta para restaurar todas as coisas (v.21). Assim, fica explícito que Cristo ressuscitado é o leitmotiv de toda ação em favor do ser humano. Nele, os pecados são redimidos e as enfermidades da humanidade sanadas.

O salmo e o evangelho retomam a temática da presença de Jesus e da preocupação de Deus para com a humanidade. O Senhor ama tanto o homem e o trata com o carinho necessário, diz-nos o Salmo. Assim entende-se porque Ele entregou seu próprio filho num plano de amor pelo seu povo escolhido.

O Evangelho, por sua vez, relata que o Cristo morto, agora está glorificado. Ele havia aparecido no caminho de Emaús aos discípulos (Lc 24, 13-35). Neste momento apresenta-se a eles na nascente comunidade cristã. Cristo põe-se entre os onze e saúda-os desejando a paz (v36). Trata-se do cumprimento de uma promessa bíblica, pois segundo as esperança de Israel, o messias viria trazer paz à humanidade. Coloca-se no meio (v.36) dos discípulos, pois o ressuscitado doravante deve ser o centro da nova comunidade. De igual modo, apresenta-lhes as feridas, mostra-lhes que tem um corpo (v.39), não é um fantasma. É o mesmo Jesus, só que agora ressuscitado. Ao partir o pão e explicar-lhes as Escrituras. Os discípulos acolhem no seu intelecto a certeza que movia de forma vacilante seu coração: Cristo ressuscitou verdadeiramente!

Essa passagem, dentre tantos ensinamentos, e tendo claras as motivações pelas quais foi redigida, ensina aos leitores que Deus ressuscitou Jesus. Que ele não é um fantasma, antes é o messias bíblico, esperado pelo povo de Deus que cumpre todas as profecias anunciadas na Escritura a seu respeito. Torna-se doravante o centro da vida e da história da comunidade Cristã e pode-se reconhecê-lo na vida comunitária e na partilha do pão.

As leituras da liturgia desta quinta-feira da oitava pascal, portanto, dirimem qualquer olhar turvo sobre o a ressurreição. Atestam que Deus age no meio do povo e, por meio da fé, atua em favor da humanidade. Asseguram, mais ainda os textos, Jesus ressuscitado deve ser o centro da comunidade Cristã que deve esforçar-se para construir um mundo de paz.