Quantas vezes devo perdoar? - Diácono Mario Braggio

21/03/2017 - 00:15

Mt 18,21-35

O perdão não é fruto da razão e tampouco da conveniência. O verdadeiro perdão vem do coração. E quantas vezes eu devo perdoar? Jesus deixa bem claro: sempre! Devemos amar e perdoar não só os nossos irmãos, amigos e companheiros; há que se perdoar a todos, até os inimigos.

A pergunta de Pedro nasce da matemática; a resposta de Jesus, do coração.

“O patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida” (Mt 18,27), aliás, uma “enorme fortuna” (Mt 18,24). O perdão é total e incondicional.

O pecado me afasta de Deus, faz mal para mim, mas atinge a comunidade. O perdão resgata o pecador e restaura o equilíbrio e a unidade da comunidade.

Nos textos evangélicos, a palavra “compaixão” é empregada para demonstrar a misericórdia divina. Quem sente compaixão, sente a dor no mais profundo do seu ser; na intimidade das suas entranhas. O compassivo coloca-se no lugar do outro, vive a sua experiência e sente como ele.

Mesmo sem pecar contra Deus e mesmo sem ofendê-lo, nós já nascemos “devedores”. Como pagar o dom da vida? Não bastasse essa “dívida”, como ressarcir as bênçãos e as graças recebidas? Deus não cobra nada de nós; quer apenas que nos amemos uns aos outros. O Pai deseja que sejamos bons irmãos.

Piedade e compaixão são atitudes (atitude = predisposição interior) e não meros comportamentos de ocasião.  Precisamos aprender a exercitá-las nas relações com os nossos irmãos.

Deus reina onde está o amor, a paz, a justiça e o perdão. Perdoar é, portanto, um sinal, uma característica do Reino de Deus.

Diante da infinita generosidade do Pai, não devemos ser mesquinhos e intransigentes. Deixemos de lado as nossas mágoas e rancores; amemos mais e odiemos menos. Afinal, quem perdoa, sente-se leve, solto, livre e feliz!