Princípios que Orientam a Missão - Raul de Amorim

21/04/2017 - 00:15

Jo. 21,1-14

O capítulo 21 do evangelho de João é um prolongamento, um acréscimo que se juntou para esclarecer mais um pouco a respeito dos princípios que deverão orientar a missão e o testemunho dos seguidores de Jesus Cristo no mundo.

Jo. 21,1-3: Fazendo memória... “Vamos pescar”- retrato de um início difícil.

Duas coisas chamam atenção. Primeira: passaram a noite inteira pescando e não apanharam nada. Isto significa que o começo do anúncio da Boa Nova, logo depois da morte e ressurreição de Jesus, não foi nada fácil. Muito trabalho e pouco resultado! Pouco peixe na rede. Mas eles continuam tentando. Não desanimam. Coisa de pescador e evangelizador!

Outro detalhe: Eles ainda não se dispersaram de vez e continuam unidos apesar das dificuldades. Estão quase todos aí: Pedro, na frente, que toma a iniciativa: “Eu vou pescar” Junto dele, Tomé, Natanael, Tiago e João, mais dois outros cujos nomes não são revelados.

Jo. 21,4-6: Quando já ia amanhecendo, Jesus chegou até a margem, mas os discípulos não sabiam que era ele. Então Jesus disse: “Filhos, será que vocês têm alguma coisa para comer?” Eles responderam: “Não”. Então Jesus lhes disse: “Joguem a rede no lado direito da barca, e vocês encontrarão peixe”...

Jesus manda lançar a rede novamente. Lançaram, e ela ficou tão cheia que não deram conta de puxá-la. É a palavra de Jesus que faz crescer a comunidade. É a mesma fartura que a gente nota quando Jesus mudou a água em vinho e quando multiplicou os pães.

Jo. 21,7-8: Então aquele discípulo que Jesus amava disse a Pedro: “É o Senhor”. Simão Pedro, quando ouviu dizer que era o Senhor, vestiu a roupa, pois estava nu, e pulou na água. Os outros discípulos chegaram com o barco, que não estava longe da margem, uns cem metros apenas. Vinham trazendo a rede com os peixes.

Detalhe: É o Discípulo Amado que abriu os olhos de Pedro. Quando Pedro descobre a presença de Jesus, descobre também que ele mesmo está nu. Como diz a carta aos Hebreus: diante de Jesus que é a Palavra de Deus, “Não há criatura, que possa esconder-se dela. Diante dela tudo fica nu e descoberto, e a ela deveremos prestar contas”. (Hb 4,13)

Descobrindo Jesus, Pedro se reencontra consigo mesmo. Ele se refaz (coloca a roupa) e se torna capaz de enfrentar o mar (pula na água).

Jo. 21,9-14: A celebração da ceia, presidida por Jesus que une a todos...

Chegando à praia, descobrem que Jesus já tinha preparado uma refeição com pão e peixe assado nas brasas. Jesus manda trazer mais uns peixes dos que foram apanhados na rede. Pedro sobe na barca e arrasta a rede para a terra. Fazendo as contas, o evangelho diz que eram 153 peixes grandes, e, “apesar de tantos peixes, a rede não se rompeu”.

Tudo isto tem um valor simbólico muito grande. A rede simboliza a Igreja. É Pedro que arrasta a rede, mas é o Discípulo Amado que reconhece Jesus. Alguns estudiosos acham que tudo isto se refere a um fato que aconteceu no fim do século 1. Diante das perseguições cada vez mais fortes contra os cristãos, as comunidades do Discípulo Amado com seus 153 membros uniram-se às outras comunidades coordenadas pelos outros apóstolos. E aí todos juntos fizeram uma celebração da unidade, em cujo centro estava o próprio Senhor Jesus preparando a Ceia.

A comunidade cristã tem como desafio dirigir seu testemunho aos seres humanos. Mas para isso não deve basear-se em qualquer critério ou apoio que não seja a confiança em Jesus e a escuta de sua palavra.

Os escritos de João define assim o amor: “É nisto que conhecemos o que é o amor: porque Jesus entregou sua vida por nós; portanto, também nós devemos entregar a vida pelos irmãos. Como pode o amor de Deus permanecer em quem possui os bens deste mundo, se esse tal vê seu irmão passando necessidade e lhe fecha o coração?”.

Quem vive o amor e o manifestaem suas palavras e atitudes torna-se também Discípula Amada. Discípulo Amado de Jesus.