Dom Antônio Cândido de Alvarenga

11º Bispo Diocesano (1899-1903)

Lema: RESPICE STELLAM VOCA MARIAMB “Olha a Estrela e chama por Maria”

BIOGRAFIA

Nascido em 22 de abril de 1836, em São Paulo. Era filho do casal Tomé de Alvarenga e Josefina Maria das Dores de Alvarenga. Dedicado por seus virtuosos pais ao estado sacerdotal, começou a se preparar para o sacerdócio aos 12 anos de idade, sendo admitido também ao coro da Catedral da Sé. Matriculou-se nas aulas de latim, cantochão e música, sendo promovido a capelão-cantor, no ano de 1954. Estudou teologia, moral e dogmática, além de outras matérias teológicas, na Catedral, nos cursos criados por dom Antônio Joaquim de Melo.



PRESBITERADO

Ordenado sacerdote no dia 25 de março de 1860, na cidade de Itu, pela imposição das mãos de dom Antônio Joaquim de Melo. Trabalhou no interior de São Paulo, nas paróquias de Taubaté (1865), Santa Branca (1868 a 1870) e Mogi das Cruzes (1870 a 1876). A partir de 19 de maio de 1870, passou a ser cônego penitenciário do cabido. Em 1877, por determinação de dom Lino Deodato, elaborou novos estatutos para o Recolhimento de Santa Teresa. No mesmo ano de 1877, manifestou apoio à libertação dos escravos.



EPISCOPADO

Com a morte de dom Frei Luís da Conceição Saraiva, dom Antônio Cândido foi nomeado bispo do Maranhão por meio de decreto imperial de 28 de setembro de 1876, sendo confirmada a eleição no Consistório de 21 de setembro de 1877, realizado pelo papa Pio IX. Recebeu a sagração episcopal no dia 31 de março de 1878, na Antiga Sé de São Paulo, pelas mãos do bispo diocesano dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, tendo como consagrantes o cônego arcipreste João Jacinto Gonçalves de Andrade e o chantre Antônio José Gonçalves. Ingressou solenemente na Catedral de São Luís do Maranhão, em julho de 1878.

Após vinte anos de fecundo pastoreio no Maranhão, contando com 62 anos de idade e com sua saúde bastante fragilizada, dom Antônio Alvarenga foi transferido para São Paulo pelo papa Leão XIII, em 28 de novembro de 1898, fazendo sua entrada solene na Catedral em 25 de março de 1899.

No mesmo ano de 1899, a cidade de Sorocaba era assolada por uma epidemia de febre amarela. Apesar de seu precário estado de saúde, o novo bispo de São Paulo seguiu viagem para a cidade interiorana, a fim de acudir pessoalmente às vítimas da epidemia, visitando, confortando e ministrando aos enfermos os últimos sacramentos, tendo assistido à morte do vigário da paróquia, vítima da epidemia.

Retornando a São Paulo deparou-se com o sucesso do Anarquismo que se espalhava entre os operários. Isso fez com que o bispo mudasse a postura da Igreja, que passou a marcar uma presença mais efetiva nos meios populares.

Em julho de 1900, viajou para a Bahia, onde participou do Primeiro Congresso Católico Brasileiro. Entre os dias 10 e 16 de setembro de 1901, dom Alvarenga organizou e presidiu o I Congresso Diocesano em São Paulo, que propunha uma maior difusão entre as camadas mais simples da população de folhas e livros contendo a doutrina católica, com conteúdos sem preocupação partidária. Este evento, foi uma das últimas aparições públicas do bispo.

Ao longo de sua vida, recebeu os títulos de Prelado Doméstico de Sua Santidade, Assistente ao Trono Pontifício, Conde Romano e foi agraciado pelo patriarca de Jerusalém, com a grã-cruz da Ordem do Santo Sepulcro. Faleceu no dia 01 de abril de 1903, sem deixar testamento. Atualmente, seus restos mortais repousam na cripta da catedral da Sé, onde pode ser lido em sua lápide:


“LAVDEMVS.VIROS.GLORIOSOS
ANTONIVM.CANDIDO.DE.ALVARENGA
EPISCOPVM.ROMANVMQVE.COMITEM
MARAGNESIBVS.IN.ORI.POST.EXANTOLATOS.LABORES
IN.PAVLOPOLITANVM.SOLIVM.ASSVMPTVM
PRO.OVILVS.ANIMA.ODISSE.DILVCIDE.MOTVM
VRBEM.DE.SOROCABA.EVERTENTE.LVE
DIESQVAE.EGISSE.VBERTBVS.CONFERTOS.SVDORIBVS
KAL.APR.AN.MCMIII.FINEM.VITAE.FACIENTEM
VNIVERSVS.POPVLVS.GRATES.OBSERVANTER.COLIT
TVMVLVM.HUNC.QVIE.OCCVPATEM” 1

1 Louvemos os varões gloriosos. Toda a gente com gratidão reverencial venera a quem ocupa em paz este túmulo, Antônio Cândido de Alvarenga, bispo e Conde Romano. Tendo trabalhado nas plagas do Maranhão, foi ele elevado à Sé Paulistana. Quando a peste devastava a cidade de Sorocaba, mostrou claramente o quanto desprezava a vida para salvar as suas ovelhas. Após uma longa caminhada, cheia de labores fecundos, extinguiu-se a 1º de abril de 1903.



BRASÃO E LEMA

Lema
RESPICE STELLAM VOCA MARIAMB
“Olha a Estrela e chama por Maria”

Descrição: Escudo eclesiástico. Em campo de blau um barco com três remos visíveis de argente, singrando num mar do mesmo ondado de blau; tendo em chefe uma estrela de cinco pontas, com resplendor, encimando o monograma da  Virgem Maria  , com as letras M e A sobrepostas, tudo de jalde. O escudo está assente em tarja branca. O conjunto pousado sobre uma cruz trevolada de ouro, com um coronel de Conde, entre uma mitra de prata adornada de ouro, à dextra, e de um báculo do mesmo, a senestra, para onde se acha voltado. O todo encimado pelo chapéu eclesiástico com seus cordões em cada flanco, terminados por seis borlas cada um, tudo de verde. Brocante sob a ponta da cruz um listel de blau com a legenda: RESPICE STELLAM VOCA MARIAM de jalde.

Interpretação: O escudo obedece às regras heráldicas para os eclesiásticos. O campo de blau (azul) representa o manto de Maria Santíssima e, heraldicamente, significa: justiça, serenidade, fortaleza, boa fama e nobreza. A barca simboliza a Igreja que vais singrando pelos mares bravios sob o comando de São Pedro e seus sucessores, sendo ainda símbolo de vitória e ânimo forte de quem resiste aos mais graves perigos e às adversidades da vida, sendo que, pelo seu metal argente (prata) simboliza a inocência, a castidade, a pureza e a eloqüência, virtudes essenciais num sacerdote. A Estrela e o Monograma lembram a Virgem Maria, “Estrela da manhã” e ”Aurora da Salvação” e, pelo seu metal jalde (ouro), simbolizam: nobreza, autoridade, premência, generosidade, ardor e descortínio. O lema: “Olha a Estrela e chama por Maria”, traduz a confiança e a devoção filial que o bispo devotava à Virgem Maria, colocando toda a sua vida sacerdotal sob a proteção da Mãe de Deus.